Falar de mudança na cultura das organizações
Não é novo que nos últimos 30 anos (para colocar um período) a tecnologia tem sido o catalisador de mudança, acelerando transformações e criando maior acessibilidade ao que evolui. Transformação é hoje uma realidade incontornável nas organizações.
62% líderes considera que o maior desafio reside na resistência humana à mudança
De acordo com o Survey Strategy & Leadership, da Darefy, que decorreu no Q1 de 2026, junto de líderes executivos e de recursos humanos de empresas portuguesas.
Foi exatamente neste contexto, que fui falar a uma empresa, sobre mudança e sobre a sua tangibilidade. O lado pragmático da mudança. Parece estranho falar sobre mudança. Até porque parece um paradoxo, não é? A mudança é uma constante, vivemo-la a cada segundo. Sentimo-la. Às vezes subtil, às vezes brutal. Mas coexistimos sempre.
Mudança consegue ser, ao mesmo tempo, tão próxima e tão distante. É-nos tão familiar, porque vivemos com ela. Habita-nos e nós habitamo-la. No entanto, quando falamos ou pensamos em mudança, ela transforma-se numa entidade externa, autónoma e independente.
Na verdade, a mudança é um efeito. Um efeito que se materializa em ações e processos, transformando, alterando ou substituindo. Mas é um efeito. Um efeito que atua sobre algo que fica diferente do seu estado original.
Relações e organizações vivem de forma consistente desafios que derivam da forma como, enquanto pessoas, lidamos com a mudança.
Tantas vezes, motivados por variados estados emocionais, seja medo, aborrecimento, esperança, ficamos‘à espera’ que algo aconteça. Que algo mude.
Na esfera individual, aguardamos que aconteça. Na esfera das organizações, aguardamos que as empresas façam algo acontecer. A mudança não é algo externo. É intrínseco ao individuo.
No espaço social, mudança é o efeito de ações individuais e da forma como elas se conectam e relacionam. Quando ações e processos são organizados, e ganham uma forma sistémica, a mudança tem mais escala e impacta a cultura social e das organizações. No entanto, isto não significa que seja possível racionalizar e tomar nas próprias mãos o efeito das transformações, nomeadamente as de larga escala.
Nós não controlamos a mudança, mas temos o grande poder de a influenciar.
Vamos até 2020, quando acontece a Pandemia. Quando em Março desse ano, enquanto coletivo, nos deparamos com um anúncio em que deveríamos ir para casa, sem perspetiva de como seria o mundo dali para a frente.
O que aconteceu? Quem é responsável? Como é possível?
Quando ficámos confinados em casa, a trabalhar a partir de casa, os códigos que conhecíamos e que definiam a rotina de trabalho, alteraram-se profundamente.
Daquele espaço da dúvida e do medo, temos hoje, uma nova perspetiva, uma nova realidade. Fizemos um caminho. Eis o que aconteceu, quando nos começámos a adaptar a esta realidade de trabalho em casa e depois gradualmente começamos a voltar aos escritórios.
1) EY - Future Consumer now
2) Microsoft Work Trend Index (WTI) Special Report intitulado "Hybrid Work Is Just Work. Are We Doing It Wrong?”. Publicado em setembro 2022
3) Fonte: Microsoft Work Trend Index Annual Report intitulado "Great Expectations: Making Hybrid Work Work”. Publicado em Abril 2022; Gen Z e Millennials
4) Instituto Nacional de Estatística (INE), através dos Destaques das Estatísticas do Emprego. Ano: Dados consolidados de 2023 e 2024.
Seis anos passados de termos sido ‘forçados’ a trabalhar de casa, tudo contínua em movimento, mas hoje a realidade é outra. Estamos a voltar ao trabalho presencial, e ainda é um tema questionado e debatido nas empresas, mas a moeda de troca agora chama-se flexibilidade. Este é um efeito da mudança. Esta é uma mudança.
A forma como reagimos, como atuámos neste processo foi e é a resposta à mudança que não controlamos. Esta resposta é a nossa influência. É a nossa ferramenta para gerir as alterações constantes, que ocorrem em todos os momentos.
Isto significa que, somos protagonistas da realidade que vivemos. Somos protagonistas da mudança. Influenciamos a mudança e com ela a cultura das organizações. As nossas ações e processos desenham o caminho e têm efeito de contínua transformação.
A mudança não é um evento. É um efeito de ações e processos. É um efeito de correlações entre pessoas e contextos.
A clareza sobre o que é mudança e como coexistimos, é um primeiro passo para construir uma cultura de adaptação e desenvolver equipas mais ágeis e colaborativas.